Inauguração da exposição “Terra ferma – Terra firme” de Matilde Sambo, com a presença da artista, em colaboração com a Galeria Diferença de Lisboa.
| Sábado, 7 de fevereiro de 2026, das 17h00 às 20h00
Espaço Triângulo, Galeria Diferença Entrada livre Patente ao público até 7 de março: |
“Uma noite à beira-mar, ondas, um trator, uma raia recém-pescada.
Um olhar que tudo observa e ao observar descreve e ao descrever compreende.
Capire (entender), do latim capio (apanho, contenho) significa também aceitar, guardar dentro de si. Às vezes amar.
Sem julgar, ou suspendendo o julgamento, que é uma coisa diferente.
Uma noite à beira-mar uma rapariga parece o início de um romance.
Mas é o que aconteceu e o que o vídeo conta: conta-o por saltos, como fragmentos de luz e de memória.
Aceita a parcialidade, a subjetividade e a incompletude do relato.
A autora deste trabalho é Matilde Sambo.
Artista que trabalha com diferentes média. Neste caso, um vídeo inédito até agora cujos protagonistas são os Pescadores, numa praia de Portugal e os Peixes, e a Noite que tudo encobre mas por vezes revela.
Uma noite à beira-mar uma rapariga e peixes às centenas.
Como no estranho milagre de Jesus.
Ele era sempre, por assim dizer, despachado.
Imaginem que estão numa conferência e na falta de um serviço de catering os organizadores oferecem-vos um peixe para o almoço. Cru. Já que estava a fazer o milagre, o peixe não podia estar cozido e servido num prato, talvez?
Gotas de chuva, relâmpagos, clarões, cristas de ondas, reflexos, revérberos. Todas imagens impermanentes, mutáveis a cada momento, que hipnotizam porque sempre iguais e sempre diferentes, um número infinito.
Estas imagens brilhantes parecem (não podem ser, não têm tempo: só podem parecer) parecem algo que está prestes a acontecer e definem aquela charneca deserta, aquela Terra de Ninguém entre a Morte e a Esperança. A primeira sempre domina, mas a segunda vence.
Ao contrário, são permanentes uma série de desenhos a grafite, de fato notas amorosas do que é, ou foi, ou poderia ser. Sambo parece procurar o seu sujeito enquanto o desenha. Como se a ideia lhe se revelasse enquanto a mão prossegue com o desenho. Na verdade, o lápis, nestes trabalhos, parece ter sido o equivalente à varinha de um rabdomante. Quem procura, acha, diz-se: mas nem sempre se acha o que se procurava. Estes desenhos parecem irmãos dos desenhos de Anatomia, devido ao ductus suave, mas também têm a nitidez gráfica de folhas de herbário. De fato, ambos ao mesmo tempo. E colocando-se muitas vezes caprichosamente fora do centro da folha, parecem testemunhar a liberdade do mundo biológico.
Exosqueletos de seres marinhos. Condutos internos de órgãos indeterminados. Lâminas foliares despidas por insetos… tudo encaixa com tudo numa surpreendente harmonia.”
– Vittorio Urbani
Matilde Sambo (Venezia 1993) é licenciada em Artes Visuais pela Universidade IUAV de Veneza, tendo participado em projetos e residências artísticas nacionais e internacionais, entre os quais: Hangar_cia (Lisboa); Galeria Diferença (Lisboa); “Festa do Cinema Italiano”, Cinema São Jorge (Lisboa); Atelier Bevilacqua La Masa (Veneza); Forci Art Foundation (Lucca); Cinema Galleggiante, Microclima (Veneza); “no(w)here” AplusA (Veneza); “Energie contemporanee” (Roma); “Planeta session-Alma Venus (Noto); In-ruins Residency (Sibari); Radio3 Battiti (Roma); “After Reminiscence”, Cassina Projects (Milão); ” Flussi”, libro d’artista con Miniera Roma (Roma); VIR, Via Farini in Residence (Milão); Open Studio Fonderia Artistica Battaglia (Milão); Museo Campano (Capua); BoCs Art (Cosenza); Collettive signatures (Ilhas Baleares); Tagli (Stromboli); Art Colony, Bronze Symposium (Hungria); Incontri d’arte “Six Steps forward one step back”, Volvo Studio (Milão); Angelica Festival (Bolonha); Pasinger Fabrik (Munique); Argo 16 (Veneza); Radio Raheem (Milão); Vídeo-cenografia para “Salome”, no Teatro Filarmonico (Verona); Captação, montagem e sonorização de “New Scenario”, filme de Rahraw Omarzad para o Castello di Rivoli Museo d’Arte Contemporanea (Rivoli); “New Echo System” Palazzo degli Ulivi, Pro Helvetia (Veneza).
Entre as exposições individuais:
“Presentimento”, Renata Fabbri (Milão); “Dormiveglia”, Associazione Barriera (Turim); “Animo Convulso”, GAM (Verona); Solo show “Terra ferma – Terra firme” presso Galeria Diferença, Lisbona; Group show “Homework #4” presso la galleria Madragoa, Lisbona